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Uma pequena discussão acerca do efeito de limpeza dos dentifrícios – 2

Luís A. F. Chaim

Embora existam várias gradações de abrasividade nos produtos usados em um dentifrício, desde as mais baixas, até as mais altas, devemos analisar separadamente o termo abrasão, que está mais associado ao desgaste de uma superfície, enquanto que a função do abrasivo na formulação de uma pasta dental está associada ao polimento e limpeza da superfície.

Portanto, os abrasivos usados nas composições dos dentifrícios têm como função, aumentar a capacidade de limpeza, produzindo um polimento na superfície dental, com um mínimo de abrasividade.

As avaliações realizadas IN VITRO, sobre as propriedades abrasivas de um determinado dentifrício, devem ser analisadas com certas reservas, se quisermos compará-las aos resultados a serem obtidos em estudos clínicos ou como atividade cotidiana em nossos pacientes.

Os recursos utilizados nos ensaios para avaliação IN VITRO de abrasividade, carecem de maior proximidade com o que pode ser obtido IN SITU.

A avaliação da consistência do dentifrício parece ser um fator também importante para a determinação dos níveis de abrasão.

A consistência pode ser medida quantitativamente, por meio de um escoamento sob uma determinada carga.

Utilizando-se duas placas de vidro sobrepostas paralelamente, deposita-se o produto entre elas e pressionam-se as mesmas.

Após um determinado período de tempo (10 minutos) mede-se o diâmetro da figura formada.

A abrasão pode ser avaliada utilizando-se máquinas do tipo Pepsodent, ou equipamentos que permitam que uma escova dentária fique presa a um braço mecânico que executem movimentos constantes, sejam eles de vaivém ou outro qualquer.

De modo geral estes aparelhos executam movimentos de vaivém.

Dentro de um recipiente de metal, prende-se ao fundo um corpo de prova, de plex-glass, composto de poliestireno com tamanho de 88mm X 27mm ou menor que o cabeça das escova a ser usada no experimento.

Podem ser testados materiais dentários diversos sob o efeito da escovação com dentifrícios e suas abrasividades referentes, agregando ao plex-glass o material a ser avaliado.

Um recipiente normalmente de aço é preenchido com uma solução de água, onde o dentifrício a ser testado é diluído e então, a escova fixada ao braço mecânico é sobreposta ao corpo de prova. Realizam-se movimentos constantes de vaivém, durante 30.000 ciclos completos, sob uma pressão também constante de200 gramasna escova sobre o corpo de prova, que equivaleria à média de força exercida durante o ato escovatório normal.

O tempo de escovação chega próximo de duas horas (em torno de 100 minutos – 30.000 ciclos) e tanto o corpo de prova quanto as cerdas se hidratam durante o processo. Aparentemente os 30.000 ciclos equivaleriam a dois anos de escovação.

Alguns autores analisam a quantidade de material perdido após as escovações, pesando o corpo de prova inicialmente e ao final do experimento.

Contudo, estas mensurações podem estar comprometidas em função da hidratação sofrida pelo corpo de prova durante a experimentação.

Autores como Barbakow et al, impregnaram o corpo de prova com substâncias radioisótopas e ao final do experimento mediram a quantidade de íons perdidos.

Davis & Winter, avaliaram os efeitos da abrasividade em termos absolutos, considerando a perda de material dentinário não irradiado em espécimes dentais hidratadas.

Outros pesquisadores propuseram estudos da rugosidade obtida sobre a superfície do corpo de prova após as escovações.

A superfície é seca e observada ao microscópio comum para avaliar se a estrutura a ser analisada permanece em condições de estudo e imediatamente é levada para um rugosimêtro, que determina o nível de rugosidade encontrada. Posteriormente o corpo de prova é levado a um estudo de microscopia eletrônica de varredura, onde as diversas alterações são consideradas.

  • by drchaim
  • posted at 15:34
  • 23 de julho de 2012